Quarta-feira, Maio 16, 2012

A liberdade das andorinhas

"Vogelflug" by Martina Lina Hirschpiel
http://hirschpiel.de/sign


As andorinhas estão de volta.
É o meu começo da primavera.
Uma primavera, as primeiras andorinhas
assim como eu as esperava.

Recordo a minha ansiedade,
a liberdade das andorinhas.
As andorinhas, negras e livres.
A primavera é uma repetição.

O meu começo da primavera
com a regularidade
dos acontecimentos repetitivos.


Agora espero por mim,
com ansiedade, negro e jovem.
E sou andorinha,
sou primavera e livre.

Talvez já o fui outrora.
Não sei. É possivel.
Tudo se repete. É sempre assim.
A repetição é uma primavera.

(Agora, de manhã cedo alguém passeia o seu cão,
enquanto um comboio
passa por cima da ponte.)

As andorinhas estão cá. Primavera.

RuiLuís

Die Freiheit der Schwalben


"Vogelflug" by Martina Lina Hirschpiel
http://hirschpiel.de/sign



Die Schwalben sind wieder da.
Es ist mein Anfang des Frühlings.
Ein Frühling, die ersten Schwalben,
so, wie ich es erwartete.

Ich denke an meine Vorfreude.
An die Freiheit der Schwalben.
Die Schwalben, schwarz und jung.
Der Frühling ist eine Wiederholung.

Mein Anfang des Frühlings
mit der Gewöhnlichkeit
der wiederholenden Ereignisse.


Jetzt warte ich auf mich selbst,
mit Vorfreude, schwarz und jung.
Und ich bin Schwalbe,
bin Frühling und frei.

Vielleicht war ich es schon mal.
Ich weiß es nicht. Möglich.
Es wiederholt sich alles. Immer wieder.
Die Wiederholung ist ein Frühling.

(Jetzt am frühen Morgen, spaziert jemand im Park
mit seinem Hund, während ein Zug
über die Brücke fährt.)

Die Schwalben sind da. Frühling.

RuiLuís

Sexta-feira, Janeiro 21, 2011

Fez-se tarde

 (Caspar David Friedrich - "Meeresufer im Mondschein")


Fez-se tarde
deixei de contar as marés
e todas as ondas tristes
que vinham morrer aos meus pés

Inúmeras vezes o sol se pôs
acegando os meus olhos
até a escuridão me dar
a luz que tinha perdido

Esperei-te tantas vezes
no meio da cumplicidade das gaivotas
e o mar dava-me o seu silêncio
ao receber o meu naufrágio

Fez-se tarde
e estes dias são esse tempo
aonde todas as recordações
morrem lentamente aos meus pés


RuiLuís

Sexta-feira, Dezembro 24, 2010

Não te espero mais (Non ti aspetto più )

(Joseph Mallord William Turner)


Não te espero mais
nem mesmo que voltes
e contigo volta-se o verão

Não te espero mais
já se passou tanto tempo
as minhas épocas do ano acabaram

Não te espero mais
e vou me embora daqui
depois desta ponte
uma outra ponte
e agora um rio
e mais um rio
lá estará

Não te espero mais
e vou me embora porque
depois deste horizonte
um outro mar
e mais um mar
e um outro amor
lá estará


Gianmaria Testa (Tradução do italiano por RuiLuís)

Quarta-feira, Julho 15, 2009

A Saudade



(pintura de mari aulinen: "der regen ist vorbei")

A chuva cai,
eu,
árvore nua.
as folhas caídas,
neste chão, neste inverno.

meu sorriso indiferente,
eu,
numa foto antiga.
a saudade desvaneceu,
estou mais perto, neste inverno.

a chuva cai,
em mim,
nesta paisagem, este café frio,
esta manhã cinzenta.

teu último beijo,
teus lábios,
tua saliva,
teu gosto,
a saudade desvaneceu.

RuiLuís

Domingo, Junho 03, 2007

Licht

( Bild von Elisabeth Schubert "Kraft der Liebe")

Ein Licht in der Stille
erhellt die Dunkelheit
zu einem Moment,
wie eine Berührung,
wie ein Hauch.

In kurzer Zeit
zerbricht es die Sehnsucht,
erfüllt den Wunsch
und stillt den Durst
in der Trockenheit der Einsamkeit.

Ein Licht in der Stille
die uns umhüllt, uns umschließt
wie der Mantel einer Nacht,
der uns vereint
bis der neue Tag erscheint.


rui luís

Segunda-feira, Maio 28, 2007

Mohn


(Bild von Elisabeth Schubert - "Mohnblume")



Ich komme wie ein frischer Frühlingswind


und umtanze deine roten Blätter.


Lange Zeit habe ich gewartet,


dich in dieser Sonne blühen zu sehen.



Ein neues Licht, dass mich umgibt


und meine Sinne weckt


als ob mich dein Kleid streifen würde.



Ein neues Licht, mit diesem Frühling


und diesem Tanz, und der Melodie


deiner roten Blätter.




rui luís


Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

enquanto dormes

(pintura de maren fiebig "schlafende frau")
escuto os teus movimentos
nas brumas matinais,
escuto o teu sono
quando deitados estamos
e não faço outra coisa
a não ser olhar-te

sigo o caminho entre as brumas
e não pergunto quando se irão dissolver
não quero fazer mais perguntas

quero escutar-te, escutar o tempo,
o tempo em que estás,
o tempo que poderei estar perto

no silêncio recordo as palavras
que te desejo dizer
são as palavras
que não cabem neste espaço

(tu sabes, que a lua as conhece...)

penso-te no silêncio desta manhã,
como a linguagem
que quero falar...
mas agora, não quero falar,
só te quero escutar
enquanto dormes

guardo os teus movimentos,
escuto o teu sono
e não faço outra coisa
a não ser olhar-te,
pois em breve irás acordar
a qualquer momento...



ruiluis